Quem sou eu ?

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Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brazil
Solteiro, 43 anos , formado em Contabilidade, profissional da área de DEPTº PESSOAL A MAIS DE 20 ANOS, Cursando o último período de LICENCIATURA EM INFORMÁTICA, FACULDADE UNIGRANRIO. Moro em Saracuruna , Duque de Caxias. espero mudar de profissão e de vida a partir do ano de 2011, quando terminarei o meu curso superior e me concentrarei em trabalhar na área em que me formarei. tenho uma filha de 12 anos e espero dar um bom exemplo para ela.

MONOGRAFIA E APRESENTAÇÃO GRAVADA


UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO
PROF. JOSÉ DE SOUZA HERDY
ESCOLA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
LICENCIATURA EM INFORMÁTICA





Gilson de Souza Faria





O professor e a informática: uma análise
no Ciep 119 – Charles Chaplin









Duque de Caxias
2011


UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO
PROF. JOSÉ DE SOUZA HERDY
ESCOLA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
LICENCIATURA EM INFORMÁTICA




Gilson de Souza Faria




O Professor e a Informática:
uma análise no Ciep 119 - Charles Chaplin


Projeto Final de Curso apresentado à Universidade do Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy” (UNIGRANRIO) como parte dos requisitos para conclusão do curso de Licenciatura em Informática

Orientador: Prof(a).  Sandra Nunes Adão Duarte



Duque de Caxias
2011

O Professor e a Informática:
uma análise no Ciep 119 - Charles Chaplin


Gilson de Souza Faria - 5600479


Projeto Final de Curso apresentado à Universidade do Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy” (UNIGRANRIO) como parte dos requisitos para conclusão do curso de Licenciatura em Informática.

Aprovado em Julho de 2011.

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________________________________
Prof(a) Especialista Sandra Nunes Adão Duarte - Orientadora
Unigranrio
_________________________________________________________________________
Prof. Especialista André Luís F. Duarte
Unigranrio
_________________________________________________________________________
Prof. Especialista Alayne Duarte
Unigranrio

Duque de Caxias
2011



Gilson de Souza Faria
O Professor e a informática:
Uma análise no Ciep 119 – Charles Chaplin
Duque de Caxias, 2011
XII, 46 p. 29,7 cm. (Escola de Ciência e Tecnologia, 2011)
Projeto de Final de Curso - Universidade do Grande Rio, Escola de Ciência e Tecnologia.
1.             Introdução
2.             Contexto Teórico da Informática da Educação
3.             Interpretação dos resultados e dos dados
4.             Desafios e Possibilidades da Escola Pública
5.             Considerações Finais
I. EIN/UNIGRANRIO II. Título (série)





























Não houve possiblidade de expressão de dedicatória.






Não foram encontrados valores para agradecimento.






















“O desafio imposto aos docentes é mudar o eixo do ensinar para optar pelos caminhos que levam ao aprender e que professores e alunos estejam num permanente processo de aprender a aprender.”


 Behrens (2000, p.73)


No início de 2008 a Secretaria de Educação Estadual do Rio de Janeiro iniciou a entrega de laptops com acesso à internet aos seus professores, visando à aplicação dessa tecnologia na preparação das suas aulas a fim de torná-las mais interessantes e dinâmicas aos alunos e possibilitando também ao docente utilizar com maior freqüência o laboratório de informática da escola com sua turma. A incorporação dessas Tecnologias da Informação e Comunicação no contexto educacional exigiu mudanças no ambiente escolar impulsionando transformações importantes de comportamento e ações voltadas às práticas pedagógicas com mais qualidade. O presente trabalho tem como objeto os prováveis impactos destas novas tecnologias nas práticas pedagógicas dos docentes do Ciep 199. A base teórica encontra-se nos trabalhos de Almeida, Levy, Moran, Tajra e Valente, dentre outros autores. A fundamentação da pesquisa inlcui a de campo, a bibliográfica e documental. Uma das conclusões obtidas é a crescente percepção de que o uso de novas tecnologias pode facilitar e ampliar o trabalho docente, mas também contribuir para que os alunos com dificuldade de aprendizagem possam construir seu conhecimento com mais facilidade.

Palavras-chave: Tecnologias da Informação, Escola publica, Qualidade de Ensino.
.



INEP
Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa
MEC
Ministério da Educação e Cultura
NTE
Núcleo de Tecnologia Educacional
PRONINFE
Programa Nacional de Informática na Educação
PROINFO
Programa Nacional de Tecnologia Educacional
RJ
Rio de Janeiro
SEE
Secretaria de Estado e Educação
SEPE
Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro
TIC
Tecnologia da informação e da comunicação






1 - Introdução

Durante anos, a qualidade do ensino nas escolas públicas, instituições criadas por Anisio Teixeira, “pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis, refletindo o seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos”,(FERRARI, 2009, p.1) vem sofrendo desgastes que revistas como Revista Nova Escola, Revista Pedagógiga e a Revista Literatura Docente  atribuiu a vários fatores, a saber: currículo escolar complexo do discente; necessidade de aulas mais interessantes e dinâmicas; despreparo dos docentes na faculdade para com a regência de turma; falta de qualificação continuada nas escolas com os docentes, entre outros fatores.
Entretanto, o vilão sempre foram os métodos de ensino tradicionais, conforme ensina Piletti, (1995, p104), “entende-se por metodologias tradicionais os métodos em que cabe ao professor transmitir os conhecimentos, e aos alunos apenas recebê-los de forma passiva (...)”.
Para o autor ainda persiste, com muitos professores, o método onde o professor fala, o aluno escuta; o professor dita, o aluno escreve; com auxilio do projetor, retropojetor, transparências, quadro de louça ou branco, utilizado pelo docente unicamente para que o aluno copie a matéria dada, mesmo sabendo que o uso de um recurso, como do retroprojetor, por mais de meia hora contínua, torna-se cansativo, e levarão os alunos a perderem sua concentração.
O aparelho de vídeo com um monitor (TV) é um recurso comum  de uso em sala de recursos áudios-visuais, disponpara expor documentários produzidos principalmente pelas televisões públicas, filmes clássicos, de literatura ou que tratam de temas polêmicos ou de interesse cultural, podendo ser utilizado pelo docente para reforçar um tema ou assunto do currículo.
Apesar de uma boa parte das escolas públicas terem recebido um data show, que projeta a imagem do vídeo numa tela, como num cinema, esse recurso geralmente é utilizado para projetar além de filmes educativos relacionados com as matérias de história, geografia, religião, entre outras, também é usado nos assuntos de interesse, nas reuniões pedagógicas e nas festas promovidas pela escola, tais como a festa junina, folclre, e etc. Nestas útimas, para divulgar a diversidade  cultural de cada região brasileira. 
 Sendo raros, mesmo com a aplicação desses recursos, os casos em que o aluno fala, e o professor o escuta, o grupo debate o assunto, inclusive o professor, procurando ir ao encontro das novas vertentes sobre os assuntos que surgem.
A tecnologia mudou os meios de comunicação de massa e, paralelamente, deve mudar a forma de ensino na sala de aula, e sobre essa lógica a Secretaria de Estado e Educação, vem construindo ao longo dos anos ações que facilitem ao docente o uso da tecnologia de ponta, como os computadores e softwares educativos como recursos aprimoradores das técnicas de aulas e da formação do docente. As chamadas "novas tecnologias" ou, mais precisamente, as tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Essas "novas tecnologias" vêm permitindo um conjunto das práticas de linguagem desenvolvidas nas situações concretas de ensino atingindo diversos níveis de explicações para essas mesmas situações, são os casos em que a disciplina é exposta em vários níveis de entendimento, ou seja, para aquele que nunca ouviu falar do assunto, para os que já possuem uma noção do tema e para aqueles que detém amplo conhecimento.
Lévy (1999) afirma que, as TIC estão postas como elemento estruturante de um novo discurso pedagógico, bem como de relações sociais que, por serem inéditas, sustentam neologismos como "cibercultura".
Para o autor, a presença das TIC tem sido investida nas escolas com sentidos múltiplos, que vão da alternativa de ultrapassagem das ações e técnicas do docente com as "velhas tecnologias", representadas principalmente por quadro-de-giz e materiais impressos, à resposta para os mais diversos problemas educacionais ou até mesmo para questões socioeconômico e políticas, como por exemplo, o custo reduzido com as capacitações do docente na forma EAD que passa a possuir um recurso que permitirá a sua atualização sem se deslocar da sua casa.
A razão e justificativa da escolha do tema é a de que a presença das TICs nas escolas públicas tem configurado o "novo perfil" do professor, não mais e unicamente na condição de profissional do ensino e sim como “mediador de conhecimentos” frente aos desafios da globalização.
A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), como ferramenta, traz uma enorme contribuição para as práticas escolares em qualquer nível de ensino. Essa utilização apresenta múltiplas possibilidades como, por exemplo, a utilização de projetos interdisciplinares que dependam de pesquisas e materiais diversos complementares ao tema proposta e que possam ser executados em diferentes formatos de mídias (gravação de entrevistas, demonstrativos de pesquisas e dados e material produzido por pesquisas na intenet), de educação dinâmica e atrativa a partir das atividades escolares em sala de aula, que é complementada por equipamentos de vídeo, som e imagem direcionados a instrução e maior condição de percepção e aprendizado como apoio a professores e complemento ao aluno na fixação do aprendizado.
A partir dessa concepção a SEE/RJ, vem há anos investindo em ações que envolvem a implantação de Núcleos de Tecnologia Educacional – NTEs, salas de aula climatizadas para receberem computadores, laboratórios de informática com até vinte computadores ligados a rede, com impressora e câmera, distribuição de laptop a todos os professores com acesso a rede, criação de projetos via site da SEE que envolvem capacitações on line aos docentes e parcerias com instituições universitárias públicas e particulares.
Todos esses projetos têm a pretensão de ensinar com o apoio dos computadores e seus acessórios (Software/Hardware) e assim melhorar a prática pedagógica. É certo que tais tecnologias têm auxiliado o processo de ensino e talvez o de aprendizagem, mas o resultado tem sido pouco observável na prática e a educação de qualidade não tem sido alcançada. Entretanto, para que as NTEs promovam as mudanças aguardadas para as escolas públicas pela SEE-RJ, devem ser usadas não como mais um recurso para ensinar ou aprender, mas como ferramenta pedagógica para criar um ambiente interativo, dinâmico, participativo do discente, e que proporcione ao mesmo, diante de uma situação problema, investigar, levantar hipóteses, testá-las e refinar suas idéias iniciais, ou seja, um recurso auxiliar que permita ao aluno construir seu próprio conhecimento.
A base empírica desse estudo é uma pesquisa exploratória e de natureza qualitativa, através de levantamento bibliográfico sobre o tema, presente em livros e periódicos, e com a aplicação de questionário para coleta de dados. Sendo este questionário montado tendo em vista questões que envolvem especificamente o uso da informática na escola pública como auxiliar do processo ensino-aprendizagem que envolve aluno e professor.
Este estudo também visa obter dados que esclareçam os fatores que interferem na qualidade do ensino e suas variáveis. Como procedimento de análise dos dados obtidos no questionário, a técnica utilizada foi à análise de conteúdo de obras pedagógicas e educativas de autores que abordam a questão e apresentam alguns fatores e variáveis do uso específico da informática na escola.
Assim sendo, o tratamento dos dados coletados na pesquisa de campo foi avaliado à luz dos teóricos que trabalham os conceitos utilizados nessas obras pedagógicas. Em visita a Unidade Escolar, e com a orientação da Diretora Geral do CIEP 199, foi composta uma amostra com doze profissionais, a saber: -Diretora Geral, - Orientadora Pedagógica, sendo os demais, do grupo de amostra, formados por Professores de Projetos e professores das Disciplinas Curriculares, de uma das primeiras Escolas Estaduais da Baixada Fluminense, em Duque de Caxias- RJ, a receber o laboratório de informática da SEE/RJ. A escola atualmente oferece Ensino Médio e Fundamental (6º a 9º) em três turnos, atendendo cerca de 1400 alunos.
O critério para escolha dos doze profissionais privilegiou aqueles que lidam diretamente com a questão da prática educacional escolar principalmente daquela prática oriunda do educando e através de um ambiente de aprendizagem informatizado e com recursos tecnológicos e de mídia. Esses doze profissionais são do sexo feminino, com idade superior a 34 anos e inferior a 50 anos, todos com graduação e capacitação com formação continuada nas suas disciplinas específicas de magistério. 
A escolaridade do grupo de profissionais envolvidos na gestão do CIEP 199 pode ser considerada alta, uma vez que 09 entre os 12 profissionais possuem Pós- graduação. Trata-se também de um grupo experiente, uma vez que contam mais de 15 anos de magistério.
Como procedimento para a coleta dos dados, foi deixado, na própria escola, para os doze profissionais, que trabalham em dias e ou horários diferentes, o texto “colocar o título do texto aqui”, disponível online (anexo I), sobre a importância do uso dos computadores na escola.
A distribuição deste texto, sobre a importância e a contribuição do uso das tecnologias na educação, visou, através da leitura do mesmo, estabelecer um parâmetro entre aquela realidade escrita e a realidade real vivenciada na escola. A intenção foi a de que os profissionais escolhidos pela Diretora para responderem o questionário da escola exponham a sua visão experimental sobre o assunto.
Sendo então distribuído o questionário (anexo II), que lido e respondida cada uma das questões individualmente pelos profissionais da escola, será usado na coleta de dados, após recolhido. Sendo explicado que além das respostas às questões propostas, foram franqueados ao grupo a possibilidade de acrescentar, em suas opções de respostas palavras ou frases que considerassem importante para o respaldo de sua escolha.





2 - Contexto Teórico da Informática na educação

2.1 - A informática educativa no laboratório e na sala de aula

Neste item, enfocamos a questão de ênfase na literatura pedagógica da necessidade no uso da informática na educação, a partir de práticas desenvolvidas para a melhoria do processo ensino-aprendizagem e à aprendizagem significativa; suas relações com a cultura escolar e outros universos culturais.
Percebe-se que os vários autores, no contexto de suas literaturas pedagógicas, enfatizam respectivamente e de forma crítica o uso da informática na escola. Segundo Valente (2000, p.38), “a educação assumiu papel crucial na construção do conhecimento e da cultura, sendo necessário o comprometimento da equipe gestora escolar na formação de seus profissionais com o uso das novas tecnologias”. Para Almeida (2002, p.21), “introduzir a informática na escola apenas para o acesso as informações em grandes números, não significará aprendizagem sobre aquele determinado assunto”. E por fim como descreve Moran (2007, p.30), “se fazem necessárias melhorias na forma e metodologia do ensino da escola pública”.
A proposta desses autores é uníssona, ou seja, o pensamento deles se coagulam na plena defesa do uso de tecnológica no laboratório ou na sala de aula das escolas como ação promovedora de transformações necessárias tanto no campo de visual da apresentação dos conteúdos escolares quanto no campo de desenvolvimento metodológico das mensagens. Para eles, com tais instrumentos muda-se a forma de ensino e aprendizado, permitindo a facilitação da interdisciplinaridade de matérias que antes estavam distantes e passam a ser interligadas através das novas formas de orientação ao estudo.
Entretanto, criticam que na maioria das vezes essa tecnologia acaba sendo implantada apenas como uma “nova” ferramenta para apresentar um conteúdo em sala de aula ou de informática, sem que o professor seja capaz de facilitar a mudança de comportamento ou levar o coletivo um melhor entendimento desses conhecimentos, por não estar o mesmo capacitado a fazê-lo e/ou por não possuir conhecimento de uma metodologia adequada àquela situação.
O que é preciso acrescentar e ou modificar na metodologia educacional, que possibilite a introdução da Informática educativa na sala de aula e no laboratório equipado?
Moran (2007, p. 31) explica que “são necessários professores treinados e um projeto político pedagógico. A experiência mostra que sem a figura do coordenador pedagógico de Informática o processo “emperra.”
Para o autor mesmo que o professor tenha uma boa formação pedagógica da sua disciplina, ampla experiência em regência na sala de aula e amplo conhecimento de informática, não bastará para que ocorra a aquisição do conhecimento por parte do aluno. É preciso o envolvimento do Coordenador, do Professor e de Projetos de informática, além de incentivos de trabalho por parte da equipe gestora e pedagógica da escola como uma ponte entre o potencial da ferramenta (software educativos) com os conceitos e conteúdos curriculares a serem desenvolvidos pelo professor. O apoio e a capacitação desse profissional, o tornará um facilitador do processo ensino aprendizagem, propiciando habilidades importantes no manuseio desses recursos tecnológicos, que permite impulsionar o processo de aprendizagem de forma mais agradável e dinâmica.
Tajra (2002, p. 22) expressa que: ”o coordenador de Informática deve estar envolvido com o planejamento curricular de todas as disciplinas, para poder sugerir e auxiliar nas atividades pedagógicas, além de se manter atualizado”.
Para a autora, o docente sem o apoio da coordenação ou da direção, não terá condição para executar a sua aula com o apoio dos novos recursos. Cabendo ao coordenador de Informática perceber as dificuldades dos professores e orientá-los, pesquisar e analisar em que momento os softwares educativos devem ser utilizados na aula. Auxiliando o professor a dominar as funções básicas da informática, planejar e organizar aulas utilizando recursos da informática e realizar a transposição didática dos conteúdos a serem ensinados por meio do computador.
É importante ressaltar que em meio ao cenário tecnológico educacional em que se encontra o docente, este profissional tem sido considerado pelos autores como um componente fundamental para o processo de introdução do computador no ato de ensinar e aprender.
Diante dessas novas competências surgidas, como fica o professor?
Espera-se que ele, na sala de aula, proporcione um ambiente interativo entre a informática e a sua disciplina e, por meio dessa interação, consiga que os alunos fiquem interessados em ter acesso à outras informações, novas experiências e aprendizagens de modo que possam realmente aprender, além de assumirem papéis e ações de críticos diante das informações e do conhecimento do qual estão em interação por meio da tecnologia.
Entretanto, o desenvolvimento dessas competências exigirá a construção de conhecimentos que não fizeram parte da formação inicial de alguns dos professores estaduais, tais como o de metodologias ou didáticas necessárias ao desenvolvimento desse conteúdo através de softwares educativos. Nesse contexto, entra então a necessidade de políticas governamentais de treinamento e capacitação continuada desses docentes, o que veremos no item seguinte.

2.2 - A informática educativa na capacitação dos docentes (cursos à distância)

Outro aspecto também muito enfatizado pela literatura pedagógica diz respeito à questão da capacitação do docente, entretanto, sabemos que, em muitos cursos de formação de professores, pelos quais formaram profissionais que ainda hoje atuam no quadro do Estado, não fizeram parte do currículo a disciplina da informática ligada a prática educativa com auxilio de softwares educativos e que também nos cursos de formação de professores oferecidos na atualidade esse vetor não é uma unanimidade, embora se defenda a ideologia de que qualquer docente deveria, no mínimo, saber manipular um microcomputador.
Para sanar esse entrave e possibilitar a introdução da Informática educativa nas escolas públicas estaduais, foi dado a cada professor do estado do Rio de Janeiro, em 2005, primeiramente aos da Modalidade de Ensino Médio, gratuitamente, um laptop, sendo este o momento no qual a preocupação da SEE/RJ era possibilitar ao docente aprender com essa ferramenta, possuir o domínio, estar seguro diante da introdução da Informática na sua vida profissional.
Em contrapartida, incentivá-lo a procurar se capacitar, porém sem fornecer nenhum auxilio financeiro. A entrega desse laptop, permitiu entretanto, que viesse a ocorrer nas escolas estaduais, uma troca de aprendizado entre os professores, ou seja, aqueles que detinham mais conhecimento da tecnologia passaram a auxiliar os que ainda não conseguiam a sua autonomia com esse recurso.
Como diz Lévy (1999, p28), “a construção do conhecimento passa a ser igualmente atribuída aos grupos que interagem no espaço do saber. Ninguém tem a posse do saber, as pessoas sempre sabem algo, o que as tornam importante quando juntas, de forma a fazer uma inteligência coletiva."
Assim sendo, podemos embasar que as etapas de capacitações dos docentes nas unidades escolares do estado do Rio de Janeiro, deu-se inicialmente nos NTEs e após receberem cada um seus laptops se deu discussões através das contribuições da inteligência distribuída  ,ou seja , é a inteligência distribuída pelo coletivo trocando idéias e confrontando pensamentos opostos sobre diversos assuntos, incessantemente valorizada pela Direção da escola e coordenada, organizada em tempo real pela Coordenadora Pedagógica, resultando em uma mobilização efetiva das competências.
Segundo Fróes (1993, p. 36), “se deve mobilizar o corpo docente da escola a se preparar para o uso da Informática na sua prática diária de ensino-aprendizagem”
O autor acima citado defende como aspecto relevante que todas as escolas tivessem esses momentos de capacitação e trocas de experiências entre eles mesmos. Todavia, para que tal situação se concretize é preciso disponibilizar horários, já que tal troca poderia ocorrer até mesma na própria sala dos professores. Entretanto, o que se percebe hoje é que a maioria das escolas não propicia tal oportunidade e momento, talvez por falta de um projeto pedagógico, do apoio de uma pessoa que exerça a função de  coordenador de Informática, ou talvez, de falta de vontade política.
E a capacitação à distância para os docentes?
Essa modalidade de capacitação foi apoiada e divulgada com a publicação em Diário Oficial do Rio de janeiro (2008, p. 16), do projeto “Conexão Professor” que passou a acontecer a partir de janeiro de 2008.
O projeto dispunha da capacitação à distância por meio dos computadores (laptop) de uso pessoal dos professores da rede pública estadual em suas atividades de ensino e pesquisa, visando ao aprimoramento do exercício de suas funções.
O projeto exposto no site da SEE/RJ ainda esclarece que os novos professores concursados e admitidos a partir de 2008, já receberiam obrigatoriamente nos seus atuais laptop um moderno e leve modem “ZTE” em anexo externo ao aparelho, com acesso direto e grátis a rede e com acesso a página de navegação do “Conexão Professor” da SEE/RJ, já os docentes anteriores, poderiam requerer optativamente o seu modem, porém continuariam com o laptop antigo.
O art. 3º do projeto Conexão instituía que os professores beneficiados deveriam se comprometer, a introduzir e intensificar o uso do computador em sala de aula e em laboratórios de informática educativa, como instrumentos de melhoria de seus cursos e da formação de seus alunos.
É importante ressaltar a ênfase que o projeto deu a capacitação à distância e ao comprometimento que cada novo professor faria ao aceitar o seu laptop com modem ZTE, em regime de comodato, com respeito à introdução e intensificação do uso do computador em sala de aula e fora dela.
Em contrapartida, a SEE-RJ se comprometeu a oferecer também a capacitação para o uso de softwares básicos. Entretanto, aos professores já existentes na rede antes de 2008, se deu a possibilidade de opção em aceitar ou não a capacitação, de requerer ou não o seu modem ZTE para conexão ao projeto.
Nas palavras de Tereza Porto (2008, p.3), o projeto Conexão Professor pode ser definido como:
O primeiro passo para a implementação de um projeto maior denominado de Educação para a Sociedade do Conhecimento através da capacitação à distância, com a entrega dos laptops com modem de acesso gratuito à internet, ao custo de aproximadamente 70 milhões de reais.
Em carta entregue junto ao equipamento aos professores da rede estadual de ensino, o Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (2008, p.01), relatou que:
Novas tecnologias que permitem a capacitação à distância do professor podem gerar mudanças na Educação, pois vivemos em um mundo novo, que muda cada vez mais rapidamente, desta forma, o computador e a internet poderiam aproximar as pessoas e acelerar o crescimento eletrônico.
As primeiras semanas de implementação do projeto, a SEE-RJ criou um serviço “tira-dúvidas” pelo telefone. Alguns meses depois foram oferecidos alguns cursos presenciais em continuidade daqueles oferecidos à distância de capacitação aos softwares básicos, além de cursos oferecidos pela Coordenação de Tecnologia Educacional, na modalidade à distância, para o uso pedagógico de novas tecnologias. A própria SEE/RJ reconheceu quanto às capacitações presenciais, que essas possuíam dois pontos negativos, o primeiro implicaria na remoção do professor da sala de aula, e o segundo abrangeria as despesas com transporte para locomoção até o local do curso.
Entretanto, alguns autores tocam em um ponto muito importante dentro do tema que são os cursos à distância, sem que haja um tutor ou representante do curso acompanhando e auxiliando nesse aprendizado.
Lucena (2008, p. 24), elenca que:
esses cursos à distância e seus conteúdos de formação e atividades desenvolvidas nem sempre interagem com a realidade do professor, quase sempre são propostas independentemente da situação física e pedagógica em que o professor vive.
Essas capacitações on line promovidas pela SEE/RJ são suficientes para que os docentes da rede pública se sintam confortáveis e motivados na utilização de novas tecnologias em sala de aula?
Referindo-se ao desenvolvimento de projetos educacionais elaborados e implementados na ordem vertical (de cima para baixo) sem necessariamente objetivar as necessidades básicas do professor, enfim, sem consultar a população alvo, ou a parcelas específicas dela, LUCENA (2008, p. 244) argumenta: “é importante a iniciativa em disponibilizar as TIC para as escolas”.
A literatura pedagógica alerta para as necessidades do profissional de educação na atualização e conhecimento das novas TICs, em todo o percurso de ensino. Entretanto, a literatura enfatiza que estas necessidades de atualização devem vir do próprio profissional, e que também terá que ser apoiada por órgãos superiores visando principalmente o desenvolvimento do ser a humano. Para tanto os órgãos responsáveis, devem antes de trazer os seus projetos e programas para a educação prontos e finalizados, discutir esses projetos e programas com os professores, promover mudanças e adequações a realidade de cada um.
De acordo com Belinsk (2008, p. 42), “(...) todos os professores devem passar por reciclagens constantes através de cursos e treinamentos de capacitação, com foco em metodologias, desenvolvimento de materiais, dinâmicas, dentre outros”.
O professor tem que ser ouvido, pois é o elemento mais importante, para a apropriação dessa tecnologia a fim de introduzi-la na sala de aula, no seu dia-a-dia. Se um dos objetivos do uso do computador no ensino for o de ser um agente transformador, o professor deve ser capacitado para assumir o papel de facilitador da construção do conhecimento pelo aluno e não um mero transmissor de informações. 

2.3 -  O professor como mediador do saber científico e educativo

Vimos anteriormente que os recursos apresentados pelas novas tecnologias de informática, como imagens, cores, sons, textos sumarizados, constituem uma momento atraente, um “plus” pedagógico a mais que permite estabelecer a concentração na comunicação. Além disso, também constituem um momento propício para a interatividade, a automatização, a conexão on line, a digitalização, a capacidade de feedback entre tantos outros fatores positivos que culminam numa nova forma de pensar e de agir.
Em face dessa representatividade dos recursos de tecnologia, Masetto (2006, p. 143) estabeleceu os seguintes pontos:
a)      Não se pode pensar no uso de uma tecnologia sozinha ou isolada. Seja na educação presencial, seja na virtual;
b)       O planejamento do processo de aprendizagem precisa ser feito em sua totalidade e em cada uma de suas unidades.
c)      Requer-se um planejamento detalhado, de tal forma que as várias atividades integrem-se em busca dos objetivos pretendidos;
d)       Que as várias técnicas sejam escolhidas, planejadas e integradas de modo a colaborar para que as atividades sejam bem realizadas e  aprendizagem aconteça.
e)      Uma técnica se liga a outra, e a integração das várias técnicas é que dará consistência ao processo de educação a distância.
Por isso, a literatura pedagógica tem dado destaque para o sucesso da informática aplicada à aprendizagem off line e on line, além de enfatizar que no mundo contemporâneo, o papel do professor ganhou a função de mediador do ensino, indispensável para ampliar o nível de conhecimento dos educandos. 
Belinsk (2008, p. 44), afirma que:
[...] o professor é um mediador, ou seja, facilitador do processo de aprendizagem. O avanço tecnológico apenas contribuiu para que as ferramentas eletrônicas se tornassem um instrumento capaz de desenvolver as práticas pedagógicas de ensino utilizadas a partir da tecnologia digital.
Moran (2007, p. 36), e tantos outros apontam em suas obras que o papel do professor frente ao saber científico e educativo “é desenvolver o processo de aprendizagem. Neste caso, tal aprendizagem somente será alcançada caso o professor se posicione como mediador”.
Os autores são uníssonos, na ênfase afirmativa de que o professor é o principal responsável por promover e mediar o saber científico e educativo. Destaca-se, também na literatura a contextualização de que a tecnologia passou a ser considerada uma ferramenta que contribui para o saber científico, já que facilita as pesquisas e, conseqüentemente, o aprendizado.
Assim sendo, se faz necessário a aceitação do professor no uso desse novo recurso e a aquisição do seu conhecimento frente à essa tecnologia como sendo  fundamentais ao alcance da eficácia do processo de construção do conhecimento e da qualidade de ensino. 
Neste sentido, é competência também, do professor buscar ampliar seu conhecimento através desse recurso e aplicá-lo no seu plano de aula, no seu próprio projeto para obter conhecimento e a partir daí levar aos alunos esses novos conhecimentos, contribuindo para diversas áreas do saber. O professor não deve ficar apenas esperando as ações dos órgãos estaduais, da sua Instituição de Ensino, pois as ações podem e devem partir do próprio docente.
Assim sendo, o papel do professor no processo educativo está atrelado às suas ações a fim de modificar sua prática pedagógica, utilizando meios tecnológicos como estratégia para alcançar o poder da informação. Logo, é fundamental a consciência crítica, o questionamento para a construção ou para a realização de intervenção alternativa no uso da sua própria aprendizagem, seja na educação presencial, seja na virtual.
À medida que, o professor venha a conseguir redimensionar a relação da tecnologia com a apropriação do seu conhecimento, será possível a reconstrução de um novo paradigma. Para tanto, o primeiro passo é que os mesmos sejam capazes de entender a importância de assumir a postura de pesquisadores, o que permitirá fluir, o seu novo perfil que é o de facilitador, mediador do conhecimento, bem como construtor de novos conhecimentos.

3 - Contexto Teórico da Informática na educação

3.1 - A introdução da Informática no ambiente escolar de Duque de Caxias

Em 1989, o MEC considerando a sólida base teórica e literária sobre informática educativa, institui através da Portaria Ministerial Nº 549/89, o Programa Nacional de Informática na Educação (PRONINFE), com o objetivo de desenvolver a informática educativa no Brasil através de atividades e projetos articulados e convergentes, apoiado em fundamentação pedagógica e sólida da doutrina educativa de Almeida (2002), Delors (1998) e Valente (2000).
Nota-se pela Portaria Ministerial Nº 549/89 que o projeto do Governo Federal, fundamentou-se em uma informática educativa baseada no uso do computador com acesso a rede, através de laboratórios de informática a serem introduzidos nas unidades escolares, buscando mudar a forma de ensinar e aprender nas escolas públicas.
Nesse período de futura introdução dos computadores nas escolas públicas estaduais, estas já estavam equipadas com um verdadeiro arsenal de tecnologias: TV Escola, vídeo-escola, Sala de Recursos de Projeção e áudio, etc. Certamente tais tecnologias, ainda em uso, têm auxiliado nossos docentes no processo de ensino e talvez o de aprendizagem.
Através da Portaria Ministerial Nº 549/89, que instituiu o PRONINFE, surgiu o intuito de promover mudanças na prática pedagógica, através da ação preparatória da inserção de futuros laboratórios de informática nas escolas estaduais, um investimento por parte do governo, primeiramente, com a implantação de Núcleos de Tecnologia Educaional – NTEs, voltado especificamente para treinamento e capacitação dos docentes estaduais.
De acordo com FRÓES (1993, p. 21), “Os recursos da tecnologia, os novos meios digitais: a multimídia e a Internet,traz novas formas de ler, de escrever e, portanto, de pensar e agir”. Para o autor o simples uso de um editor de textos na tela do computador mostra como alguém pode registrar seu pensamento de forma distinta daquela do texto manuscrito, provocando no educando uma forma diferente de ler e interpretar o que se escreve, forma esta que se associa, ora como causa, ora como conseqüência, a um pensar diferente.
Moran (2007, p.16) ensina que:
No entanto, qualquer trabalho que envolva tecnologia, destacando o uso do computador e internet exige uma capacitação profissional, tendo em vista que o conhecimento é construído a partir da interação entre o professor e o aluno. Com a Internet estamos começando a ter de modificar a forma de ensinar e aprender [...].
O programa da Portaria Ministerial Nº 549/89 priorizou o contato do docente com a nova tecnologia através da internet, buscando oferecer a formação tecnológica ao profissional que teria futuramente, a capacidade de ensinar aos seus educandos, o que pesquisar e como pesquisar através da rede, cerceando assim, a princípio o processo de desenvolvimento e aproveitamento desse recurso como um todo. Ainda, trazendo de forma significativa uma educação mais dinâmica e eficiente, além de possibilitar uma aproximação entre os indivíduos e de tornar o processo de aprendizagem mais prazeroso.
Segundo Tajra (2002, p.25) “As vantagens do acesso a todas as informações contidas em apenas uma rede de internet leva o educando a pensar que tem inúmeros caminhos e soluções.”
Para a autora, referindo-se a programas de tecnologia através da internet, iniciar ou introduzir a informática na escola apenas para o acesso, as informações em grandes números, não significará que o educando venha a ler ou aprender sobre aquele determinado assunto, pois, o fato do acesso já lhe proporciona a errônea idéia de aprendizado. Entretanto, não se nega que os recursos tecnológicos de comunicação e informação através da rede têm se desenvolvido e se diversificado rapidamente na vida cotidiana de todos os cidadãos.
Esse aspecto é importante para se ter a distinção entre o ato de entrar na rede, e ter acesso a inúmeras culturas e conhecimentos, e o ato de ter acesso a rede, e assimilar diferentes culturas e conhecimentos. A diferença quem vai diagnosticar é o professor, a partir das suas avaliações e observações quanto ao grau de aprendizado apresentado pelo aluno. Haja vista que o acesso a rede pode ser, para o aluno, uma forma de aumentar o seu conhecimento ou apenas uma forma de passar o tempo.

3.2 - Da Climatização

Climatização foi à denominação adotada pela SEE/RJ, para as salas e ou laboratórios a serem implementados nas escolas públicas, com recursos tecnológicos de mídia e informática devidamente climatizados, com portas e janelas vedadas e com ar-condicionado a fim de receberem os inúmeros equipamentos. Além das reformas no laboratório, as salas de recursos áudio visuais receberam equipamentos novos, como datashow, projetor de slides, caixas de som amplificadas, microfones e telões.
Apesar da existência do Programa Nacional de Informática na Educação (PRONINFE) desde 1990, somente a partir de 1993, deu-se início a verdadeira implantação do programa de informática na educação pública, através da climatização de salas, especificamente no Rio de Janeiro com os Núcleos de Tecnologia Educacional - NTEs visando à capacitação e formação dos docentes da Rede Pública da Secretaria Estadual de Educação.
 Buscou-se com o uso da tecnologia através da internet a formação do professor, assim sendo, o docente começaria a adquirir conhecimentos sobre os recursos computacionais e educacionais para “ser capaz de alternar adequadamente atividades tradicionais de ensino-aprendizagem em atividades com o auxilio do computador” (VALENTE, 2002, p. 2).
De acordo com Valente (2000, p.27), do ponto de vista metodológico, “esse trabalho deve ser realizado por uma equipe interdisciplinar formada pelos professores das escolas escolhidas e por um grupo de profissionais da universidade”.
Essa parceria, ou esse trabalho metodológico como é tratado pelo autor, ocorreu entre o MEC e o governo estadual, especificamente nesta pesquisa, das escolas estaduais do Município de Duque de Caxias, possibilitando a implantação do primeiro Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da UFRJ, no “Instituto de Educação Governador Roberto Silveira”, sito a Rua General Mitre no Centro de Duque de Caxias, buscando atender e capacitar todos os professores das escolas públicas de Duque de Caxias.
Os Núcleos de Tecnolgia Educacional (NTEs) desenvolveriam um projeto de capacitação em informática na sua escola para os demais professores que não participaram das aulas no Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), tendo, porém, a supervisão e apoio da universidade escolhida pela Secretaria de Educação (SEE) e do gestor administrativo (diretor) da unidade escolar.
O Programa Nacional de Informática na Educação das escolas estaduais deu certo?
Pelos objetivos desse Programa, o "aprender a aprender" foi à principal tarefa, numa concepção que, segundo Valente (2000, p. 24) é de "formação continuada de educadores para as mudanças, a reflexão, a comunicação, a colaboração, a complexidade e a auto-organização". Porém nem sempre elas ocorriam de forma consecutiva em face ao caso fortuito ou força maior, tornando a capacitação muito longa.
Para este autor, o "aprender a aprender" está relacionado as capacitações, as formações continudas, as palestras, e todos os demais recursos disponibilizados aos docentes para ampliar a sua capacidade profissional em lidar de forma dinâmica não apenas com os conteúdos da sua disciplina mas também com os novos recursos que existem dentro da escola.
Com a introdução dos recursos tecnológicos nas escolas, houve uma preocupação na escolha de programas de computadores para a educação causando a demora na instalação dos laboratórios nas escolas. Aliás, Almeida (2002, p. 21) chama a atenção para essa demora da implantação dos laboratórios para os alunos, ao expressar que, "o que se observa em relação à inserção da informática na educação é uma preocupação excessiva com a aquisição de equipamentos e de programas de computadores para a educação", como se somente isso pudesse garantir uma utilização eficaz do computador nos diferentes níveis e modalidades de ensino.
As novas capacitações em coerência com o paradigma educacional por via tecnologia computacional são defendidas na literatura pedagógica através de quatro pilares, a saber,: 1º- que o professor aprenda a fazer, (planejar e elaborar suas aulas com o auxilio do computador e dos softwares disponíveis); 2º- que o professor aprenda a trabalhar em equipe (com os outros professores de disciplinas diferenciadas buscando ligar os conteúdos de sua disciplina com o conteúdo de outras matérias); 3º- que o professor aprenda a conhecer, (buscar novas ações e novos conhecimentos com o auxilio do computador); 4º- aprender a ser inovador (um professor com perfil  dinâmico).
Essa concepção do paradgma educacional apresentado pela literatura pedagógica está presente a figura do professor como elemento do processo educacional na pessoa de um ser criativo, capaz de não só se autoavaliar como também de atuar em grupo, de receber e de trocar novas experiências oriundas do seu trabalho. Um profissional do século XXI, capaz de utilizar de novos recursos tecnológicos a sua disposição para aumentar o seu conhecimento e mudar a sua forma de agir e de ensinar.
Pois na concepção de uma educação aberta, voltada para o desenvolvimento integral do ser humano, o Programa de Formação Continuada de Professores promovida pela SEE/RJ, com o auxilio do computador tinha uma visão interdisciplinar e flexível de acordo com a proposta dos quatro pilares da educação de Delors (1998, p32), a saber: "aprender a ser, apreender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a conhecer".
Até pouco tempo atrás quando a literatura se referia “a escola aberta”, esse jargão tinha a conotação apenas de a escola era de todos, pais, alunos, professores, gestores, comunidade local da escola, entre outros, que poderiam participar e ajudar na vida escolar do aluno. De alguns anos para cá, essa conotação foi ampliada e “escola aberta”, também significava entender e aceitar as mudanças culturais no entorno da sua unidade escolar, promovendo atitudes e ações que possibilitassem a integração da escola no seu meio cultural. Atualmente, “a escola aberta” é sinônimo de escola flexível, nos conteúdos, nos objetivos, nas formas de capacitação, formas de avaliações e de convivência as normas escolares.
Uma das primeiras unidades a receber o laboratório em Duque de Caxias, foi o CIEP 199 - Charles Chaplin no Bairro Sarapuí, com 1800 alunos, onde o computador passou a assumir um papel fundamental de complementação, de aperfeiçoamento e de possível mudança na qualidade da educação, a fim de possibilitar a criação de ambientes de aprendizagem, causar uma revolução de ordem estrutural nas atividades educativas, principalmente a ação do professor.
Desde a implantação dos laboratórios de informática nas escolas estaduais, a informática passou a ser utilizada como uma ferramenta de apoio ao processo de ensino, tendo em vista suas potencialidades para o desenvolvimento do aprendizado do aluno. Aprender e ensinar se tornaram mais viáveis em virtude dos recursos tecnológicos existentes na unidade escolar, permitindo, então que o processo educacional passasse por mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia. Sobre as tecnologias auxiliares da aprendizagem, veremos no item seguinte.

3.3 - Das tecnologias auxiliares da aprendizagem

Com o fim do Programa Nacional de Informática na Educação (PRONINFE), outro programa chamado PROINFO entrou em operação em 1996/7 passando a ser responsável pela montagem dos equipamentos nas escolas públicas, adotando o Linux, um sistema operacional gratuito, que por estar sendo aprimorado e enriquecido nacional e internacionalmente, razão pela qual o Governo Federal através do MEC resolveu implantá-lo, como um Kit completo de computadores, aparelhos tais como, impressora, scaner e fax, para as escolas da rede pública de todo o país, a fim de que os alunos tivessem acesso a um programa de qualidade, possibilitando-os ter uma cultura mais ampla com o uso deste aparato.
Por sua vez a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, defendeu o sistema o Linux criado pelo MEC como programa padrão para implantação do projeto do programa PROINFO, como aquele possuidor de grande variedade de softwares tanto quanto os outros pagos.
O Linux Educacional adotado baseou-se num sistema operacional onde viabilizaria o acesso do professor e do aluno a vários conteúdos livres do MEC, tais como: Obras literárias completas; Hinos diversos; Todos os DVDs da TV Escola, entre outros. Tendo como portal de acesso a rede, a própria página do MEC onde foi disponibilizada a versão criada e implementada pelo MEC que atende a todas as necessidades acima descritas para a utilização em escolas e NTEs.
O Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro- SEPE, declarou ao jornal O DIA de 24 de março de 1998, três dicotomias das ações da SEE/RJ na implantação desse programa, a saber:
1º) A SEE/RJ, através  dos NTEs capacitaram os docentes da rede pública estadual com um sistema operacional (Windows) diferente do adotado para os laboratórios das unidades escolares.
2º) A SEE/RJ, não proporcionou ao programa o acesso a rede, embora os computadores estivessem aparelhados para tal serviço. Deixando por conta das escolas a responsabilidade de providenciar as instalações necessárias e assumir tal custo, através da verba de manutenção das escolas.
3º) Ocorre que as escolas estaduais com até quinhentos alunos, não tinham direito a essa verba.
Mesmo, com esses entraves, muitas escolas, principalmente os CIEPs que possuíam em média mais de mil alunos conseguiram entrar na rede. Sendo possível promover a inclusão digital nas escolas públicas estaduais, condição essencial para o processo educativo na sociedade em vigor.
E os softwares educacionais?
Para FROES (1993, 28) o principal problema em relação à questão do software educacional era “quais os critérios para que um software fosse considerado educacional”.
Para o autor, esta foi uma das razões e demora da implantação da informática na escola, entretanto qualquer software pode ser considerado educativo. Ele sugere ainda, que se considere software educacional aquele que pode ser usado para algum objetivo educacional ou pedagogicamente defensável, qualquer que seja a natureza ou finalidade para a qual tenha sido criado.
Para que o software se tornasse efetivamente um recurso didático auxiliar do processo de construção do conhecimento, favorecendo um novo modelo de relacionamento entre professor-aluno, foi necessário um procedimento de avaliação com base em critérios que atendessem os interesses e necessidades do projeto estabelecido estrategicamente pela SEE/RJ e pelos gestores da Rede Pública, dando prioridade aqueles que envolvessem prioritariamente as disciplinas da língua portuguesa, matemática e ciências.
Dentro desse contexto, os softwares educativos priorizados pelo programa PROINFO de 1996/7 vieram em forma de jogos, a fim de facilitar aos educandos a construção do seu conhecimento com o auxílio da máquina, porém de modo atrativo. Foi introduzido, os tradicionais jogos de xadrez, forca, e gamão, além de jogos educativos de sinônimos, tabuada, figuras geométricas, tabela periódica, entre outros, considerando que a inclusão do computador no ambiente escolar proporcionaria transformações na prática docente, e que o professor não se limitaria mais ao papel de fornecer informações aos alunos.
Sobre essa transformação Almeida (2002, p.17), ressalta que cabe ao educador
Assumir a mediação das interações professor-aluno-computador de modo que o estudante possa construir o seu conhecimento em um ambiente desafiador, onde o computador auxilia o professor a promover o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, da criticidade e da autoestima do aluno.
O autor defende que, de fato, o uso do computador permite certas condições atrativas aos alunos para construção do conhecimento, tais como a capacidade de animação dos objetos, as cores e as letras que permitem uma melhor interação com a disciplina, o efeito áudio-visual dos vídeos e páginas de acesso na internet, entre outros aspectos que contribuem para que esse equipamento seja usado na condição de meio didático e como ferramenta de aprendizagem.
Em 2002, o programa PROINFO substituiu os computadores das unidades escolares por outros de última geração e com novos e diferentes softwares educativos, mais complexos que incluíam disciplinas curriculares de química, geografia, física, entre outras, que possuíam áudio explicativo e orientações sem a presença do docente. A cada três anos os laboratórios são totalmente reestruturados com novos equipamentos de informática.
Esse foi um passo positivo demonstrando que enfim se começava realmente a perceber o potencial dessa ferramenta na Informática educativa, que, além de promover o contato com o computador, tinha como objetivo a sua utilização como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados. Conforme ressalta Valente (2000, p. 13), “a introdução da Informática na educação deve ser acompanhada de uma reflexão sobre a necessidade de uma mudança na concepção de aprendizagem vigente na maioria das escolas”.
Para o autor, estudos demonstraram que a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, como ferramenta, traz uma enorme contribuição para as práticas escolares em qualquer nível de ensino. Essa utilização apresenta múltiplas possibilidades que poderão ser realizadas segundo uma determinada concepção de educação que perpassa qualquer atividade escolar.
Mas, se a informática auxilia na aprendizagem, porque o índice de rendimento escolar dos educandos das escolas públicas em Duque de Caxias continuam baixos?
Com muita propriedade Moran (2007, p. 36) afirma que
Se o sucesso de ensinar e aprender dependesse só de tecnologias já teríamos achado soluções há muito tempo para os fracassos na educação. Existe uma grande preocupação com “ensino de qualidade” quando se deveria preocupar com uma “educação de qualidade”. E completa: Mudar a educação não é um processo rápido e fácil. As mudanças na educação dependem de vários fatores.
Para o autor, a questão não se trata de amenizar as inúmeras contribuições que o uso desse recurso, o computador nas escolas públicas, poderá efetuar na facilitação da construção do conhecimento e na aquisição da aprendizagem, e sim, se tratando a questão puramente de que existem várias variáveis e desafios no contexto ensinar x aprender, que vem sendo enfrentado durante anos, em face a falta de políticas públicas mais eficazes e por falta de modelos de gestão educacional mais flexíveis envolvendo a informação e o conhecimento.
Cabe ressaltar, conforme Almeida (2002), que o uso do computador na educação não pode ser ignorado como também não deve servir de “panacéia para os problemas educacionais”.
Para a literatura pedagógica, existe um único desafio aos docentes que é o de promover a mudança na prática do ensinar com o auxilio dos recursos tecnológicos e de mídia, cabendo a eles optarem por novos caminhos que levam ao aprender a aprender, criando situações e ações prazerosa de aprendizagem, promovendo o interesse dos alunos.
Entre os fatores que podem estar prejudicando o sucesso de ensinar e aprender citados por Moran (2007), Almeida (2002), e tantos outros pedagogos incluem, a saber:
a)      professores que não estão “maduros intelectual e emocionalmente,
b)      profissionais que não são curiosos, entusiasmados, abertos as mudanças,
c)      professores que não sabem motivar e dialogar,
d)     equipe técnico-administrativo-pedagógica composta de profissionais, que não entendem todas as dimensões envolvidas no processo pedagógico,
e)      de “alunos não curiosos e motivados com o processo, desestimulados, tornando-se ausentes na caminhada do professor-educador”.
Para esses autores, o ensinar tem sido visto por décadas, unicamente, como a ação de elaborar algumas atividades que ajudam ao aluno a compreender determinadas áreas do conhecimento (disciplinas), entretanto o educar é mais amplo, profundo e integrado ao intelectual, emocional, profissional, por isso o educar tem força de mudança, modificação, reestruturação de conceitos e ações.
O que é defendido neste contexto é que em face às mudanças sentidas na sociedade se faz necessárias melhorias na forma e metodologia do ensino da escola pública, e para isso acontecer, o papel do professor não pode continuar a ser o mesmo que era no passado. 

3.4 - O Papel das partes envolvidas: Gestores e Professores das escolas Estaduais.

Nas escolas públicas a direção é eleita pela comunidade escolar através do voto direto, secreto e nominal, tendo os diretores legitimidade para exercer suas funções.
 Belinski (2008, p. 44) defende o perfil do gestor dinâmico ao elencar que
O gestor deve ser atuante e estar preparado para mediar os profissio                                  nais na resolução de conflitos, agindo como incentivador, proporcionando uma interação comum entre todos, inclusive entre os alunos e para tanto deve adotar certas formas de ação estabelecidas a partir de certos entendimentos e princípios.
Diferente não é o pensamento de Lück, (2006, p.16) que ensina: “A idéia de gestão é superar limitações e ousar mais, onde tudo é responsabilidade de todos, mormente do gestor”. Entenda-se como “todos: gestores, professores, técnicos, funcionários, alunos, pais, comunidades e parceiros da escola.
Para os autores, em todas as questões que se desencadeiam, o gestor deve estar envolvido com sua equipe, orientando posturas e buscando soluções; soluções essas que devem contar com ampla participação de todos, pois a questão educacional é responsabilidade de todos e não se restringe somente a um profissional, o professor de turma.
O gestor deve durante o seu tempo com os professores regentes da escola, agir de forma a despertar em cada um deles o seu potencial, transformando o ambiente de trabalho em um processo contínuo de auto-avaliação e cooperação durante o tempo todo.  Isso é possível, através da de encontros através das reuniões periódicas para que todos tenham oportunidade de sugerir novas idéias, propor mudanças na socialização escolar. A promoção de diálogos abertos é o melhor caminho para se alcançar novas propostas educativas de ações e obter decisões precisas para a elaboração dos novos projetos educacionais.
Portanto é necessário ter uma gestão participativa na escola, capaz de afetar a qualidade escolar positivamente, pois quando os diretores participam e buscam opiniões de seus funcionários e as utilizam como base para implementar decisões, permite que haja um constante ambiente de aprendizagem eficaz e harmonia, com liberdade de expressão dos pensamentos e ações voltadas para adaptar os projeto existentes de forma que eles atendam a realidade da clientela escolar, tornando esse projeto um meio ideal de se alcançar  uma aprendizagem de qualidade.
Assim sendo, o gestor por ser o profissional de educação que estabelece um contato mais direto com o trabalho docente, e demais profissionais auxiliares da educação, como os orientadores educacionais, deve fomentar discussões sobre o processo ensino-aprendizagem no laboratório de informática, analisando, em ação conjunta com os professores e demais auxiliares da educação, apurar as contradições existentes entre o fazer pedagógico e a proposta pedagógica da escola.
 Masetto (2006, p.139), ensina que “não é a tecnologia que vai resolver ou solucionar o problema educacional no Brasil”.  Para o autor, quando se fala em tecnologia e aprendizagem devemos considerar que o que seja aprender envolve, o papel do aluno, o papel do professor, o uso da tecnologia e todo um processo pedagógico escolar. Ensinar pressupõe a ação em transmitir conhecimento ao educando que deverá absorver e reproduzir o que recebeu de informação.
Neste contexto o professor então passa a ter o seu “verdadeiro papel” que é o de criar um ambiente capaz de levar, seus alunos a aprender, a pensar e refletir com o auxilio desses recursos no qual ele será apenas o mediador da aprendizagem. 
Atualmente o professor não é o único a deter as informações que os alunos precisam, conforme afirma Moran (2007, p. 29):
As mudanças exigidas pela sociedade da informação e pela introdução dos computadores, no ambiente escolar, requerem que todos sejam criativos, articuladores e principalmente parceiros no processo de aprendizagem, através da utilização da informática como auxílio do seu fazer pedagógico, da sua prática pedagógica diária, ele assume a função de “orientador”, do conteúdo que está sendo transmitido, em contrapartida nesse mesmo contexto, o docente também passa a ser “um mediador em serviço” ao utilizar da tecnologia da informática para buscar informações e conteúdos que vão estimular o seu aluno na aquisição da aprendizagem além de melhorar a qualidade da sua aula. Por isso, ele assume um duplo papel, a saber, de um “orientador/mediador.”
Moran (2007, p. 30) expressa os seguintes papeis dos profissionais da escola como orientador/mediador de quatro formas distintas, a saber:
Orientador/mediador intelectual- Colabora na seleção das informações pertinentes e importantes a cada disciplina com o intuito de que eles as contextualizem através da compreensão, avaliação, reelaboração e adaptação.
Orientador/mediador / emocional - Motiva incentiva, estimula, organiza os limites, com equilíbrio, credibilidade, autenticidade empatia.
Orientador/mediador/gerencial e comunicacional- Tem a função de organizador, seja no que se refere ao gerenciamento das atividades propostas no currículo, seja no desenvolvimento das diversas formas de comunicação e de interação entre as disciplinas.
Orientador/ético - Ensina a assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente. Contribui na construção “sensorial-intelectual-emocional-ético- dos estudantes que vão consolidando referenciais de atitudes, valores e idéias. “Um bom educador faz a diferença”.
O autor explora a necessidade da existência da dupla função do docente conhecida como de um “orientador/mediador”, para tanto se defende uma mudança na postura do docente e de toda a equipe escolar, o que ele mesmo reconhece que não é tarefa fácil, nem se consegue de uma hora para outra.
O autor, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade da dupla função do docente, reconhece que não compete apenas ao docente, pois é um trabalho planejado de equipe e união na busca de mudanças positivas e esperadas, e que para acontecer dependerá também de uma política de formação adequada do professor.
Assim sendo, é preciso que se trabalhe em grupo com outros docentes para obter a completa integração no trabalho, mas, para o autor, só isso não basta, é preciso também o auxílio de sua chefia imediata e também dos órgãos e organismos educacionais para que docente seja constantemente estimulado a melhorar e adequar sua ação pedagógica, e para tanto, não basta haver capacitação, um laboratório equipado e software à disposição do professor, precisará haver também um gestor que gerencie e oriente o processo pedagógico.

4 - Interpretação e Resultados dos Dados

4.1 - Caracterização da pesquisa

O CIEP 199 - CHARLES CHAPLIN está localizado no bairro Sarapuí, em uma área distante do Centro de Duque de Caxias-RJ, e interligado por vias principais com pelo menos outros quatros bairros na mesma periferia local, a saber: Gramacho, Copacabana, General Rondon e Doutor Laureano. Destaca-se por ser uma unidade escolar que possui um amplo espaço fisco com excelente aproveitamento da iluminação natural e é formado por uma estrutura arquitetônica que permite o acesso inclusive de alunos cadeirantes. Sendo todos os seus acessos internos devidamente identificados o que facilita a todos da comunidade se dirigirem ao local que desejam sem enfrentarem qualquer dificuldade.
Atualmente o CIEP 199 - CHARLES CHAPLIN atende a alunos domiciliados em pelo menos dez bairros diferentes dentro da localidade de Duque de Caxias e aos domiciliados em dois Municípios vizinhos, a saber: Belford Roxo e São João de Meriti, porém que trabalham em Duque de Caxias. Os alunos do turno da noite, que trabalham em Duque de Caxias, optam pela unidade escolar devido ao fácil acesso geográfico e por existirem diferentes linhas de ônibus que transitam em frente à unidade escolar e outras que transitam na proximidade.
O CIEP 199 é uma unidade escolar que oferece o segundo segmento do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e o Ensino Médio, distribuído em seus três turnos, possui um quadro de profissionais diversificados nas disciplinas pedagógicas, além de professores de educação física, sala de informática, sala de recursos audiovisuais, biblioteca, animador cultural, educação artística e ensino religioso, totalizando o quadro de 47 docentes. O espaço físico é amplo, arborizado, gramado e as instalações passam anualmente por reformas e pinturas.
Devido ao quantitativo de alunos e do seu funcionamento nos três turnos, o CIEP 199 possui três Diretoras, uma geral e duas Adjuntas. As duas Diretoras Adjuntas são profissionais da área de Magistério e pós-graduadas em Universidades Públicas, além de possuírem mais de quinze anos de experiência na função.
Após vários contatos telefônicos para a Direção da unidade escolar, ocorreu a primeira visita, que foi acompanhado pela Diretora Adjunta e pela Coordenadora Pedagógica, com vistas às partes do prédio, inclusive o laboratório de informática e da sala de recursos áudio-visuais.
Também nesse primeiro encontro tive vários momentos de conversas com alguns docentes uns em tempo vago, outros estavam chegando e alguns de saída, conseguindo entregar um texto informativo sobre o tema e um questionário, abaixo descrito, a fim de que pudessem ter conhecimento antecipado do assunto. cômoda mesma forma, foi explicado que na saída seria recolhido o questionário abaixo, pois sabemos que nem todo dia o professor disponibiliza de tempo vago para possíveis reflexões e ou nem todos os dias eles estão naquela unidade escolar, sendo esse momento importante para ter oportunidade de interagir com o material recebido, cuja idéia central abordava os seguintes itens, a saber:
1- O seu entendimento sobre o perfil do seu gestor democrático.
2- As mudanças promovidas na escola pelo seu gestor após a implantação do laboratório de informática.
3- O seu perfil de professor.
4. A sua relação com à Informática na Educação.
5. As dificuldades que enfrenta ao lidar com esse recurso.
6. O computador "alterou" a sua relação/ método de ensino-aprendizagem.
7. Houve um maior reflexo com a implantação e utilização do laboratório de informática?
8. As relações entre aluno, matérias, aprendizado nas atividades em laboratório como, tem reflexos em sala de aula no desenvolvimento dos alunos.
Entre uma apresentação e outra foi possível recolher algumas posições do docente que foi transcritas em um bloco, em relação à escola e um posicionamento pessoal a respeito do tema dessa dissertação, onde cada um se manifestou rapidamente de forma aberta reforçando as suas posições expressas após o preenchimento do questionário acima. Como veremos no próximo item.

4.2 - Entrevistas e Informações levantadas

Na instituição escolar pesquisada, a equipe gestora e o grupo de docentes se demonstraram unidos e entusiasmados com as ações em grupo que planejam e executam em prol do trabalho que desenvolvem com seus alunos de forma multidisciplinar, onde o tema é generalizado a todas as disciplinas e cada professor atua com esse tema para desenvolver os seus conteúdos programáticos.
A equipe de Coordenação Pedagógica segue e orienta o método de ensino da escola através do “ensino inovador”, que permite ao docente viabiliazar a promoção de mudanças significativas, através de aulas organizadas com auxilio de recursos áudio-visual, que possibilita a participação ativa do aluno no processo ensino aprendizagem.
Quanto às ações de gestão na escola observou-se que estas, também envolvem capacitações de docentes em grupo a fim de melhorarem a dinamica das aulas com apoio de materiais e recursos do laboratório de informática e da sala de áudio visual. Para tanto observou-se que na sala de professores existem grupinhos e conversas durante os intervalos com troca de opiniões sobre a aula que foi dada anteriormente.
Todos se colocam como colaboradores, com liberdade de propor idéias para melhorar as aulas na sala, no laboratório e na sala de recurso áudio visuais. Eles ocuparam todos os espaços da unidade escolar com a turna, alguns estão na biblioteca, outros na sala de recurso áudio visual assistindo a uma reportagem, outros no pátio da escola com atividades de observação de figuras geométricas, outros no laboratório de informatica, enfim é uma escola de intensa articulação.
Os docentes observados são seguros de possuirem capacidade criativa em prol das questões de melhoria na qualidade de ensino e do rendimento escolar dos alunos na unidade escolar. E se consideram professores com alto padrão de qualidade de ensino, totalmente incentivados, responsáveis não apenas com o seu desempenho, mas também com os dos colegas.
É perceptível que as turmas não ficam ociosas, no corredor ou no pátio da escola, pois há um professor sempre que possível, quando em tempo vago, ocupando a sala na ausência do outro, seja por atraso ou falta, sendo em tais situações utilizado o laboratório de informática e os jogos educacionais voltados ao raciocínio lógico e a concentração, tornando a aula dinâmica.
Os docentes se intitulam observadores da vida escolar cotidiana e na sua maioria veem a Direção desenvolvendo um trabalho criativo, presente as reuniões, auxiliando nos projetos e na metodolgia de ensino, dando idéias e ouvindo novas idéias. Portadoras de inúmeras qualidades de líderes e seguras no trabalho que fazem, apoiando sempre que necessário o professor nas suas atividades
Eles utilizam da autoavaliação nas suas atividades em reuniões programadas pela gestora e os seus laptops no planejamento de suas aulas sem apresentarem nenhuma dificuldade de lidar com o computador para “formatar” os seus conteúdos programáticos, as aulas e os seus projetos escolares aplicados com o uso do laboratório de informática, conseguindo aumentar a participação do aluno de forma positiva em prol da melhoria da aprendizagem e da construção do conhecimento que era muito baixa. Inclusive com o apoio da direção, tem aumentado os passeios externos com as turmas aos cinemas, teatros e aos museus.
Entretanto, alguns poucos reclamaram bastante da ausencia da família do educando na vida escolar e na educação dos seus alunos, prevalecendo neles inúmeras deficiências, a saber, ausência da sala de aula (faltas constantes), carência afetiva e a valorização para os estudos. Ou seja, a unidade escolar enfrenta os mesmos problemas da maioria das escolas públicas do Rio de Janeiro.
E que existem aqueles alunos que ficam o tempo todo na sala de informática, usando o computador para baixar música ou entrar no youtube e acessar páginas de relacionamento e bate-papo on-line. Ficou perceptível durante a observação que a escola enfrenta questões de indisciplina por parte de alguns alunos, que saem da sala de aula para ir ao banheiro ou beber água e não retornam de imediato ficando na biblioteca ou se infiltrando em alguma atividade que esteja acontecendo no pátio ou quadra da escola.
Quanto aos projetos da SEE, observou-se que estes vem prontos e embalados, como é o caso do campeonato da matemática através do computador no laboratório de informática, despertando no aluno além de interesse pelo conhecimento, também ações comportamentais e sociais mais adequadas em grupo.
Os docentes retiram os alunos da sala de aula e os levam para sala de informática proporcionando-lhes atividades descontraídas, dinâmicas, que não precisam abrir o livro, falar e nem escrever, como são os jogos de língua portuguesa e matemática, facilitando que a aprendizagem se torne mais prazerosa e os alunos mais participativos naquela escola. Percebeu-se que o recurso auxilia também alunos com idades acima dos padrões da turma/série e que possuem pouco conteúdo e ou dificuldades de construir seu conhecimento.
 O laboratório de informática é frequentado por professores sem alunos e com alunos e é importante principalmente nas atividades voltadas para a área de português e matemática. Todos teceram elogios aos materiais e jogos de computador disponíveis na escola para os alunos utilizarem no laboratório independente de estarem lá porque foram levados pelo professor ou porque foram sozinhos, tendo como resultado positivo a dinâmica visível e virtual das aulas, durante a exposição de assuntos relacionados às suas disciplinas.
Todos os alunos da escola possuem amplo conhecimento de informática e sabem usar o recurso com destreza, inclusive a internet para efetuarem suas pesquisas e que contam sempre com o auxilio de um responsável no laboratório para os auxiliarem. Assim como, de poderem imprimir até três folhas de suas pesquisas ou trabalhos na impressora do laboratório. Ambos os docentes deixaram claro que o aluno possui hoje uma situação mais acomodada para cumprir suas tarefas escolares e mesmo assim apenas metade da turma o faz.
Fazendo uma análise comparativa, assim como, o governo federal vinculou a bolsa família, a presença obrigatória do aluno nas primeiras séries do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), a SEE/RJ vinculou os seus projetos e os da escola para garantir melhoria nas notas e possibilitar presenças efetivas nos estudos, aos alunos faltosos e desinteressados.
 Também ficou claro que a escola lida não apenas a questão da melhoria da qualidade de ensino através da utilização constante de recursos áudio visuais, voltados principalmente para atender aqueles que possuem dificuldade de aprensizagem, mas também para atrair os alunos faltosos e desinteressados pela aprendizagem.   

4.3 -Interpretação dos Resultados

Foram utilizados para coletar dados, dois instrumentos, o depoimento livre através de conversa informal e um questionário. Depois todo o material foi sintetizado e as idéias principais obtidas expostas neste trabalho. 
a) Como a escola vê o seu gestor?
Para obter informações sobre o gestor da unidade escolar foi proposto ao grupo que marcasse apenas três opções, entre as diversas oferecidas no questionário, e enumerando as escolhas de 1 até 3, sempre levando em consideração o fator “imprescindível”.
Tabela 1: Tabulação do Perfil do Gestor
Fonte: Autoria própria
Observador
3-3
Persuasivo e seguro (equilíbrio emocional)
2-3-3-3-3
Criativo
1-1-3-3
Possuir competência profissional
2-2-2-2-2-2-2-2-2
Sociável e equilibrado emocionalmente
3-3
Carismático
1-2-2-3-3
Líder
1-1-1-1-1-1-1-1-1
Apresentação pessoal
-
Outro
-
Como resultado do questionário verificou-se que para o grupo é imprescindível que seu gestor democrático seja líder e concomitantemente tenha competência profissional para a função.
Como foram 12 profissionais que responderam o questionário, a tabulação obtida foi de 36 opções de escolhas expostas de forma preferencial. Após a tabulação dos dados obtidos, o gráfico a seguir mostra como a escola vê o seu gestor.
Gráfico 1: Perfil do Gestor
Fonte: Profissionais do CIEP 199-Charles Chaplin: 2011
Através dos dados obtidos pelo questionário se caracterizou que são profissionais reflexivos em uma escola reflexiva, cujo gestor preceitua suas ações de forma democrática como líder. Os dados obtidos no questionário, aplicado aos doze profissionais da escola, enfatizou-se a importância do gestor democrático estar ligado à imagem do profissional da educação (o professor com qualificação profissional superior), um Líder, com Competência Profissional e Pedagógica (com experiência, e vivencia na área educacional).
Há liberdade de pensamento e expressão, isso ficou nítido também, em vários momentos, um deles ocorreu quando a Diretora Adjunta após a apresentação aos docentes se retirou para a sua sala, e mesmo assim, não ocorreram críticas, assim como em muitas ocasiões durante as falas não ocorreu nenhum silêncio com a chegada de algum do grupo de docentes.  Em nenhum momento houve colocação sobre questões de má remuneração profissional na área da educação como motivo para possível descaso para com as questões apresentadas. Os dados refletem que essa gestão é composta por profissionais capazes de liderar e mobilizar as pessoas e assegurar a participação democrática, sabendo ouvir e esperando receber críticas que possam cada vez mais melhorar o desempenho de suas funções.
b) Quais as mudanças promovidas na sua escola pelo seu gestor após a implantação do laboratório de informática?
Neste aspecto, houve um empate entre os entrevistados. 50% optaram pelas capacitações inteligentes, (arranjos de espaço e horário pelo coordenador e das disposições dos assuntos de maior grau e dificuldade do grupo). Ou seja, eles mesmos, incentivados pela gestora buscam se aprimorar trocando experiências entre si, tendo o apoio total da direção.
Os outros 50%, optaram pelas ações implantadas pelo gestor relacionadas à (valorização profissional, comportamentos, atitudes, expectativas, habilidades e percepções). Deixando claro que existem premiações como, por exemplo, os passeios fora da escola dirigidos pelo professor com a turma, ou a indicação da direção para preencher as vagas oferecidas pela Coordenadoria de Ensino para cursos de capacitação continuada.
Gráfico 2: Mudanças promovidas pelo laboratório
Fonte: Profissionais do CIEP 199-Charles Chaplin:2011
Nenhum dos entrevistados optou pelo item tecnológico (modificações na maneira como o trabalho é processado, nos métodos e nos objetivos). Fato compreensivo, já que pelas falas desses profissionais é a SEE/RJ que dita e implementa as regras dos seus projetos e ou programas que vem de cima para baixo. Eles preferiram optar pelas ações promovidas pela própria escola.
c) Na sua opinião, ao atuar na escola, você como professor se considera como:
Todos os dez professores e demais colaboradores se colocaram como fornecedores de idéias, com liberdade para isso e que trabalham em equipe transferindo e trocando conhecimentos entre eles. E que estão sempre promovendo pesquisas, campeonatos de xadrez, matemática, jogos educacionais entre os alunos, através não apenas do uso do computador, mais de todos os outros meios disponíveis na sala de recurso, como o telão, as fitas e Cds de vídeo, filmes e projetores de slides.
d. Com relação à Informática na Educação, a criação do laboratório de informática na sua escola contribuiu de que forma para melhorar as atividades pedagógicas da sua aula/disciplina. Marque apenas uma opção.
Foram marcadas as seguintes opções por ordem de preferência.
Para 50% o laboratório contribuiu de forma mais participativa da turma
Para 50% o laboratório contribuiu de forma dinâmica.
Gráfico 3: Contribuição da informática na educação
Fonte: Profissionais do CIEP 199-Charles Chaplin:2011
No quesito participação, os colaboradores enfatizaram que a turma passou a requisitar mais o professor, a todo o momento, e a falar mais sobre suas dúvidas durante a aula com auxilio de filmes e ou slides, após o retorno da sala de informática.
No quesito dinâmico, os entrevistados destacaram que com o auxilio do computador as atividades escolares ocuparam menor tempo de feitura das tarefas por parte dos alunos, que passaram a concluir as atividades propostas mais rapidamente com a ajuda do computador.
No quesito criatividade, não houve citação por parte dos entrevistados.
e. Quais as dificuldades que o docente enfrenta ao lidar com esse recurso?
Nenhum. Todos os entrevistados se referiram ao sistema operacional do laboratório de informática da escola como o Linux e diferente do sistema do qual foram capacitados (Windows 98) e também daquele que consta no laptop de cada um deles (Windows XP ou Vista). Porém, isso não contribuiu de forma negativa para lidar com esse recurso, pois a escola possui um técnico auxiliar, professores que dominam a informática e auxiliam os colegas e os alunos lidam muito bem com qualquer um dos sistemas citados.
f. O computador "alterou" a relação/ método de ensino-aprendizagem em prol da qualidade de ensino da sua escola?. (  ) sim ou (  ) não
Todos os entrevistados afirmaram positivamente e foram taxativos de que o acesso ao laptop para formular antecipadamente as atividades de aula alterou a relação método de ensino, fazendo com que as atividades ficassem mais ilustrativas, coloridas e possibilitasse uma adequada visualização aos alunos dos assuntos e ou temas expostos na aula, fosse no desktop do computador no laboratório de informática, ou no telão da sala de recursos. Outro fator determinante foi à possibilidade do aluno ter como complementação e fixação da aula, acesso aos diferentes vídeos, referente ao tema da aula.
g) Em relação ao desenvolvimento escolar e intelectual a partir da utilização do laboratório de informática? (   ) alto   (  ) médio  (  ) baixo
Médio. Todos os entrevistados foram unânimes e taxativos, nessa resposta, pois o aluno não vai ao laboratório apenas para fazer as pesquisas, e ou os trabalhos. Eles também têm livre acesso e quando vão, constantemente, o fazem para baixar músicas, interagir em sites de relacionamento ou jogar na rede. E que apenas nas aulas dirigidas no laboratório com a presença do professor é que existe um aumento percentual no seu rendimento, como reflexo das intervenções promovidas pelo docente.
h) As relações entre aluno, matéria, aprendizado, desenvolvimento, entre outros com as várias disciplinas...?  (   ) alto   (  ) médio  (  ) baixo
Todos os entrevistados optaram por um reflexo alto, e deixam nítido que esses reflexos não são mérito exclusivo do laboratório de informática ou sala de recursos e sim também da opção de ensino proposto no projeto político pedagógico da escola “Ensino Inovador” que alterou toda a proposta pedagógica para área de desenvolvimento interdisciplinar. Ou seja, nessa unidade escolar, todas as disciplinas estão interligadas por temas e assuntos que são obrigatoriamente apresentados por cada professor dentro do seu conteúdo programático.

5 - Desafios e Possibilidades da Escola Pública

Embora as escolas públicas estaduais enfatizem que os projetos e a tecnologia aplicada à educação tenham melhorado o rendimento escolar de muitos alunos assíduos, que apresentavam dificuldades generalizadas na aprendizagem, principalmente nas disciplinas de português e matemática, disciplinas essas que são avaliadas no provão promovido pela SEE/RJ, o nível de rendimento das escolas estaduais continuaram baixo, ou seja, abaixo da média cinco (5,0) em fim de 2010, nas escolas estaduais de Duque de Caxias.
Como entender essa dicotomia? De um lado a afirmativa de que os recursos tecnológicos, implementado na escola estadual tem contribuído para melhorar a aprendizagem e facilitar a construção do conhecimento. Por outro lado, as escolas estaduais sinalizaram baixos resultados nas avaliações anteriores até 2009 pelo IDEB.
A resposta é simples. O resultado da avaliação anterior sofreu interferência de vários fatores, tais como: - a falta de professores em disciplinas importantes e a contabilização da lista de matricula por quantitativo de aluno, muitos desses faltosos. Ou seja, o Inep - Instituto Nacional de Estudos e de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira criado em 2007, órgão responsável pela aplicação da prova avaliativa, levou na época em consideração todos os alunos matriculados nas escolas públicas estaduais, inclusive os faltosos e as turmas sem professores.
O resultado foi negativo em dose dupla. Primeiro, através do baixo percentual apresentado na avaliação como um todo. Segundo, em face ao investimento promovido pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, na implementação de tecnologia para auxiliar no ensino, e a interpretação duvidosa de que não houve retorno desse investimento nas escolas estaduais, fazendo com que a Secretaria Estadual de Educação, Tereza Porto, viesse primeiramente a pedir licença por motivo de saúde e depois exoneração do cargo.
O objetivo atual da SEE/RJ é alcançar a marca de 6.0 até 2015 em todas as suas modalidades de ensino. Ressalta-se, entretanto, que até o meio do ano passado (2010) era considerado alto o número de carência de professores nas escolas públicas estaduais como amplamente divulgado pela mídia falada e escrita.
Em face, a situação problemática anterior enfrentada pelos professores e alunos, e frente aos Desafios e Possibilidades da Escola Pública, faz-se necessário que a SEE/RJ, revesse esse processo de avaliação, e promovesse a sua própria avaliação, não levando em conta os alunos matriculados e sim os alunos da chamada do professor.
Essa realidade está acontecendo nesse ano de 2011, no mês de abril, e acontecerá também no próximo semestre, através da avaliação de matemática e português, chamada “avaliação Saerjinho”, cuja prova é aplicada na escola por professores da própria rede e, excluídos aqueles que embora matriculados não sejam considerados alunos freqüentes pelo professor.
Outro detalhe importante é que as turmas que estavam, anteriormente à avaliação, em falta com professor de português ou matemática, embora façam a prova, não terão seu resultado contabilizado para composição do índice do governo, denominado Índice de Desenvolvimento Escolar do Rio de Janeiro.
A proposta do novo índice, resultado da avaliação da prova saerjinho, consta do Decreto publicado  pelo  governo no D.O de 07 de  janeiro de 2011, para  o ano letivo de  2011. Nele estão as explicações de que os alunos farão a prova, e  por meio dos resultados obtidos pelos estudantes será avaliado  o trabalho do professor e da qualidade de ensino oferecido pela escola.
Para tanto, esperasse que a realidade apresentada seja outra, pois essa relação de alunos a serem avaliados, não foram produzidos a partir do programa digital de matrícula da secretaria da escola estadual/SEE e sim a partir da realidade do livro de chamada de cada disciplina/professor.
Assim sendo, a SEE/RJ terá no fim deste ano de 2011, através da avaliação da Prova SAERJ, um real resultado de rendimento escolar de suas turmas, modalidades de ensino e de cada uma de sua escola em particular. E já se comemora um resultado positivo dessa primeira etapa, que envolverá ainda outras avaliações.
Emfim, as escolas públicas estaduais foram ouvidas em suas reinvidicações, ou seja, uma avaliação descritiva de acordo com a realidade educacional do Estado. Esperasse com esse resultado, a amostragem de uma visão positiva da aplicação de todos os recursos que atualmente a escola possui para melhorar a qualidade de seu ensino, sejam demonstrados em percentuais reais, idênticos aqueles que os docentes têm percebido dentro da sua sala de aula e nas avaliações diárias de acordo com a sua disciplina em questão.

6 - Considerações Finais

Por meio do presente estudo percebeu-se que os professores da rede estadual de educação se integraram nas ações voltadas para a necessidade imediata de mudanças nas suas práticas pedagógicas a fim de tornar as escolas públicas mais inclusivas, com a utilização de novas tecnologias, em especial o computador com acesso a internet, distribuído pela SEE/RJ, para que fossem utilizados como ferramentas auxiliares no seu trabalho diário de educador. 
Também foi necessário compreender que habilidades e competências eram necessárias para utilizarem essas tecnologias, equipamentos e softwares de última geração, disponibilizados com linguagens informáticas do programa windows e Linux, e para tanto a necessidade do seu aperfeiçoamento através de cursos, destacando ainda a necessidade para pesquisar, aprender e preparar atividades diferenciadas, além do amadurecimento de lidar com o novo.
Várias são as razões que justificaram o maciço desenvolvimento de um ambiente virtual de aprendizagem para esses professores, através de seus laptops, uma delas e talvez a principal é que muitos desses profissionais não tinham condições de se atualizar e/ou realizar cursos de Informática Educativa, ofertados com custos elevados para os mesmos, incompatíveis com seu horário com as aulas assumidas em suas escolas e também com seu rendimento. 
A constatação é de que tal investimento da SEE/RJ e o interesse dos professores em se reciclarem permitiram a possibilidade de haver não apenas uma melhora na prática educativa, mas também uma melhora na forma de assimilação da aprendizagem por parte dos seus alunos, com o aumento de questionamentos importantes durante a aula e outros mais referentes aos trabalhos e pesquisas realizadas pelos alunos no laboratório de informática da escola. Entretanto, independente das novas habilidades adquiridas por estes docentes, também ocorreu uma reflexão quanto a utilidade do recurso (o laptop), e de todas as outras tecnologias disponíveis na unidade escolar.
Ressalta-se também que esses profissionais não encararam esses recursos como a solução de todos os problemas (e não são poucos) da educação pública e também da sua escola, e sim como um recurso auxiliar para ajudar os seus alunos com deficiência de aprendizagem, de socialização e de construção do seu próprio conhecimento. Outra significativa mudança é o novo olhar sobre o seu trabalho, culminando com a satisfação de resultados positivos com o uso dessas novas tecnologias facilitando o processo de ensino aprendizagem da sua turma, tornando sua aula mais dinâmica e seus alunos mais atentos, colaborativos e participativos.
Nesse contexto, o docente, detentor e transmissor do conhecimento passaram a ser um agente mediador entre o aluno e o conhecimento. E tal fato foi possível a partir da simples percepção de que Educar para a nova sociedade significava cada vez mais programar ações envolvendo uma aprendizagem baseada na troca e na cooperação, na própria diversidade de atuar dentro da sua disciplina e na elaboração de hipóteses e objetivos flexíveis ao curriculo. As novas tecnologias propiciaram a ampliação da comunicação entre docente e discente para além dos limites do ambiente escolar e da construção do conhecimento.
Concluímos que o sucesso das aulas no laboratório de informática, na sala de recursos áudio visual, e até mesma na sala de aula, dependerá sempre, de forma subjetiva, do apoio da equipe gestora, e quase que sempre da disposição dos docentes a quem muitas vezes já são exigidos um grande volume de trabalho dentro e fora de sala de aula. Além dos esforços dos mesmos na melhoria e mudança na sua metodologia educacional, e de forma objetiva de outros agentes na disponibilidade de investimentos em materiais e equipamentos e nas instalações dos estabelecimetos.
ALMEIDA, Maria Elizabeth de. Informática e formação de professores. Brasília: MEC/Seed, 2002.
BELINSKI, Ricardo. Gestão do Comportamento Educacional. Revista Genetrix. PUC/PR, 2008, 10p
DELORS. Jacques de, Os 4 pilares da Educação Brasília, DF: MEC/UNESCO, 1998
FRÓES, Jorge R. M. Educação e Informática: A Relação Homem/Máquina e a Questão da Cognição. São Paulo: Ética.1993
LÉVY, Pierre.  A inteligência Coletiva - por uma antropologia do ciberespaço, edições Loyola: São Paulo, 1999.
LUCENA, Simone de. A internet como espaço de construção do conhecimento. Salvador: Editora da UNEB, 2008. p. 236-250.
LÜCK, Heloísa. A escola participativa: o trabalho de gestor escolar. Rio de Janeiro, DP&A,10ªedição 2006
MASETTO, Marcos T. Mediação pedagógica e o uso de tecnologias. In.: MORAN, José Manuel; BEHRENS, Manilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. São Paulo: Papirus, 2006. p. 133-173
MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos; BEHRENS, Marilda. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 12º ed. São Paulo: Papirus, 2006.
MORAN, José Manoel. Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação. Módulo Introdutório: Integração de mídias na educação. Ano 2007.
PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo: Ática, 1995.
TAJRA, Sanmya Feitosa. Informática na Educação: novas ferramentas pedagógicas para o professor na atualidade. 3.ed. rev. atual e ampl. – São Paulo: Érica, 2002.
VALENTE, José Armando (org.). Computadores e conhecimento: repensando a Educação. Campinas, SP: UNICAMP/NIED, 3ª edição, 2000.
VALENTE, José Armando (org.), O Computador na Sociedade do Conhecimento. Campinas, SP: Unicamp/NIED, 2002.





Anexo I – Elaboração de Material Didático
Virtual e a Formação dos pofessores
Artigo 1 Carlos Alberto de OLIVEIRA   ( Professor da disciplina ‘Tecnologias de Informação e Comunicação, esta parte integrante do Projeto ‘Material Didático Virtual’. 2 Maria Helenice de Paiva ALMEIDA   3 Nanci Aparecida de ALMEIDA 4  Eunice Maria Moura GOMES 5 Mariana de Moraes PAVAN 6 Carolina Scavazza BALDOCHI 7Aline Belotto TAMURA (Professores Mestrando)
Conclusão:
Faz-se necessário, considerando-se a relevância das TIC, elencar suas características a fim de estabelecer diferenças entre elas e tecnologias educacionais anteriores. Elas se inserem no campo do ensino como um contexto formal, apresentando um novo suporte com possibilidade de novas técnicas no processo de ensino-aprendizagem. A evolução dessas tecnologias propiciou a ampliação do número e das formas de interação entre o usuário e esse novo  meio tecnológico.
Assim, buscam as TIC integrarem-se nessa relação que envolve o ensino e o saber. 
A versatilidade é uma de suas marcas. E com uma linguagem própria, sem similitude com qualquer outra, deslocou para si o domínio do poder, que outrora estivera, respectivamente, com a linguagem oral e escrita.
Essa nova linguagem insólita surgiu como um fenômeno que interrompeu algo antes estabilizado, instituindo uma nova maneira de compreender. Afeitos às linguagens antes dominantes, as TIC obrigam-nos a uma adaptação a um nova realidade impactante.
Os dados ofertados nas TIC em geral e, particularmente, na Internet são abundantes e disseminados de maneira muito rápida. Após essa consulta/avaliação, os dados escolhidos só se transformarão em informação caso tenham algum valor para o usuário.
As TIC correspondem à flexibilidade dos materiais digitais, porque  promovem uma atualização imediata de dados e permitem seqüências imprevisíveis/abertas e ritmos diferentes na aquisição da informação.
Outra característica das TIC é a de se constituírem num instrumento de trabalho essencial no mundo moderno. São, portanto, um espaço para uma comunicação partilhada em diversas áreas.
No caso da situação de ensino-aprendizagem, cria a possibilidade de o aprendente participar de acordo com o seu tempo, dando-lhe assim mais liberdade de escolha e de caminhos. 
E quando se fala da sua utilização a favor do ensino não se trata apenas de uma transposição de dados do papel para o meio eletrônico, como as enciclopédias, os dicionários e outros, mas sim do seu grande diferencial, a interatividade, e a utilização de recursos que podem alterar a relação entre sujeito e objeto, atribuindo a este funções que antes  eram do sujeito. Isto não quer dizer que o papel do sujeito deixará de ser  importante ou até que ele se tornará obsoleto: representa, dentro de uma nova realidade, que esse papel do sujeito deverá ser revisto, ou seja, a potencialidade da máquina (ainda não explorada suficientemente) deverá ser  colocada a seu favor na busca da ampliação de suas ações além-sala de aula.
OBS: O artigo possui mais de 17 laudas, e por isso foi utilizado apenas a parte da conclusão do artigo.
Anexo II – Questionário
Marcar as opções conforme solicitado:
1-     No seu entendimento, qual o perfil do seu gestor democrático.
Marque apenas três opções enumerando-a de 1 a 3 levando em consideração o fator “imprescindível”.
( ) Observador  ( ) Persuasivo e seguro  ( ) Criativo ( ) Possuir competência profissional ( ) sociável e equilibrado emocionalmente ( ) Carismático  ( )Líder  ( ) Apresentação pessoal  
( ) Outro _______________
2-  Quais as mudanças promovidas na sala de aula da sua escola, pelo seu gestor, após a implantação do laboratório de informática. Marque uma das opções levando em consideração o fator “imprescindível”.
( ) tecnológicas (modificações na maneira como o trabalho é processado nas salas de aula e levado aos laboratórios de informática, ampliando as oportunidades de aplicação de métodos e proporcionado o alcance de objetivos e satisfação adequados).
( ) capacitações inteligentes, ou seja, preparando  de froma  adequada a realização de atividades e trabalho  (arranjos de espaço e horário pelo coordenador e das disposições dos assuntos).
( ) relacionadas às pessoas (valorização profissional, comportamentos, atitudes, expectativas, habilidades, percepções).
3- Na sua opinião, ao atuar na escola você como professor se considera como: Marque apenas uma opção consideração o fator “imprescindível”.
(  ) Fornecedor idéias e projetos educativos, trabalha em equipe transferindo conhecimento.
( ) Auxiliar na organização e resolução dos problemas e na escolha das modificações organizacionais e das técnicas apropriadas para a mudança tecnológica.
(   ) Embora não contribua com as ideias aos projetos implementados na sala de aula, se coloca a disposição para auxiliar  participando de forma  integrado com todos os colegas.
(  ) Outros _______________________________

4. Com relação à Informática na Educação. Marque apenas uma opção.
a). A implantação da sala  de informática na sua escola contribuiu de que forma para melhorar as atividades pedagógicas da sua aula/disciplina.
 (  ) Criativa – quanto aos recursos por terem proporcionado o aumento de possibilidade de criação de novas atividades.     
(  ) Dinâmica – por terem reduzido o tempo no desenvolvimento de novas atividades e com isso ter proporcionado um melhor entendimento dos assuntos estudados e atividades desenvolvidas.
(  ) Participativa – por terem aumentado a condição de participação e interação entre professor e aluno .
5. Qual a principal dificuldade que os professores enfrentam ao lidarem com esses recursos?
(  ) utilizar os softwares educacionais do linux (   ) operar o sistema operacional Linux educacional  (   ) falta de capacitação e conhecimento       
(   ) outros 1 - _______________2 -____________________3 -_____________________
. O computador "alterou" a relação/ método de ensino-aprendizagem em prol da qualidade de ensino da sua escola.  (   )  sim   (   ) não
7. Em relação ao desenvolvimento escolar e intelectual, houve um maior reflexo com a implantação e utilização da sala de informática? defina o grau.
(   )   Alto         (   ) Médio       (   ) Baixo
8. As relações entre aluno, matérias, aprendizado e desenvolvimento de atividades em sala de informática como complemento a várias disciplinas, tem reflexos em sala de aula e facilitação de entendimento e desenvolvimento por parte dos alunos?
Em que grau são percebidos estes reflexos ?
 (   )   Alto         (   ) Médio       (   ) Baixo